Pensando as práticas além dos Muros

Autores: ZAMBULIM, M. C.; NAVARRO, A. C. F.

  1. Introdução

O presente relato tem como proposta apresentar a experiência de um grupo nomeado “Extramuros” que ocorre semanalmente no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de São Mateus. Tal grupo tem como objetivo promover a reabilitação psicossocial dos usuários participantes da atividade e ampliar a circulação deles pela cidade. A reabilitação psicossocial destina-se a aumentar as habilidades da pessoa, diminuindo as deficiências e os danos causados pelo transtorno mental.

Entende-se que através da ocupação de espaços públicos busca-se ampliar o repertório dos componentes do grupo permitindo uma maior circulação entre diferentes lugares da sociedade. O campo Social da Terapia Ocupacional possui como principal foco atender as demandas de pessoas excluídas de acesso aos bens culturais e sociais (PADUA; MAGALHÃES, 2008).

A saúde vai além do contexto biológico e entende-se que a relação que o indivíduo tem com o espaço que ocupa pode lhe proporcionar uma sensação de bem-estar. Tais visitas facilitam o contato dos usuários e lhes concede a oportunidade de realização de cursos e até mesmo empregatícios. Proporcionam atividades que trabalham o cognitivo, a coordenação motora, a sociabilidade, a independência e autonomia que geram reflexões acerca da própria cidade e de sua identidade.

  1. Metodologia

A realização do grupo se dá uma vez por semana no período da manhã. Dois técnicos sendo um deles psicólogo e a outra terapeuta ocupacional são responsáveis pela atividade. Cerca de 20 usuários participam e colaboram nas deciões. Os locais escolhidos normalmente são: SESC; Museus, Fábricas de Cultura, Casas de Cultura, Cinemas e Parques. As idas a estes espaços são através de transportes públicos e com o uso de Bilhete Único do qual muitos usuários possuem por direito.

Compreende-se a importância da participação coletiva na construção das intervenções a fim de que o sentido de tais ações possa se dar na própria experiência e que os profissionais facilitam tal construção.

  1. Resultados

A experimentação de diferentes espaços por parte dos usuários amplia a possibilidade de se relacionar com a sociedade e os espaços urbanos. A circulação pela cidade não mais se restringe as periferias. A descoberta de lugares que, muitas vezes são dados como inacessíveis, e pensados para uma determinada parcela da população, como teatros, museus, parques, faz com se veja a vida de um outro prisma. Por consequência tem-se uma diminuição do uso das drogas e também de seus prejuízos.

  1. Conclusões

A experiência vivida junto ao grupo “Extramuros” no Caps Ad III de São Mateus nos faz olhar para a importância da construção de atividades que são externas aos equipamentos. A experimentação de novos espaços dentro da sociedade permite ao indivíduo ampliar suas possibilidades de escolha levando-as além do uso de drogas. Isso também nos coloca a questão de pensar o como estamos gestando e quais referências utilizando na construção de nossas práticas, obrigando-nos a superar o olhar clínico e reducionista do qual apenas olha o indivíduo como separado de seu contexto social.

Reflexão sobre o Uso do Termo Tecnologia na Produção em Saúde

Autores: Helton Saragor de Souza e Áquilas Mendes. SOUZA, H; MENDES, A

 Introdução  (Período de Realização. Objeto de pesquisa)

Trata-se de pesquisa caráter téorico realizado nos últimos cinco anos. O debate teórico do termo tecnologia e seus desdobramentos na saúde coletiva não se referem à erudição semântica desprovida de concretude. Nessa perspectiva, a partir do referencial teórico marxiano, problematizaremos os efeitos uso amplo e genérico do conceito que esvazia o seu sentido histórico, bem como atribui relações sociais de outra ordem à categoria tecnologia.

Metodologia

Pesquisa de caráter teórico que utilizou a revisão bibliográfica com principal método de análise.

 

 

Desenvolvimento

 

Panoramicamente, a construção do conceito tecnologia teve seu desenvolvimento inicial no campo da saúde coletiva por Mendes Gonçalves, para o autor o termo não estaria restrito aos instrumentos materiais, mas ao conjunto de saberes e conhecimentos expressos na produção em saúde. Essa caracterização se mantém tanto em  autores da acepção marxista e na interpretação da ação comunicativa do trabalho em saúde. A leitura crítica dessa acepção que embora trate das relações sociais históricas envoltas na definição de tecnologia, utiliza o termo para abarcar três categorias de forma imbricada a própria tecnologia como complexificação da relação homem natureza, o trabalho complexo e, consequentemente, o trabalho social combinado, e a organização do processo de trabalho. Consequentemente, desenvolver conceitos como “arranjos ou modelos tecnológicos em saúde ”

Distintamente de Mendes Gonçalves, Merhy rompe com uso conceitual anterior e inaugura novas terminologias. O autor refere-se ao conjunto de conhecimentos teóricos e práticos associados à produção, logo, o termo também não é utilizado em acepção restrita de referência somente a equipamentos. Merhy classifica e subdivide as tecnologias nas categorias: dura, dura-leve e leve. A primeira são equipamentos e estruturas organizacionais. A segunda categoria são os saberes tecnológicos estruturados como as clínicas (médica e psicanalítica), a epidemiologia e o taylorismo, enquanto a terceira é a prática cotidiana e a destreza desenvolvida nesse processo pelo trabalhador como tecnologias próprias da área da saúde, por exemplo, acolhimento, autonomização etc.

Entendemos que o conceito amplo de tecnologia advém da formulação de Foucault que denominava técnicas aplicadas do exercício de poder nas práticas sociais como tecnologias. Foucault argumenta que a tecnologia política da modernidade seria a disciplina. A medicina social basear-se-ia, a priori, na tecnologia de domínio social do corpo, o novo hospital moderno, como ―máquina de curar‖ seria o lócus da tecnologia médica, desdobrando em tecnologia hospitalar. A legitimação do poder na institucionalização da ciência seria uma tecnologia da ―verdade. A criminalização dos mais pobres e o sistema punitivo seria uma tecnologia penal. Assim como, refere-se à tecnologia na produção como tecnologia industrial. A nosso ver, a acepção de tecnologia não se refere estritamente ao plano industrial, ela é social, sobretudo. Isso porque as ferrovias, os telégrafos mudaram a noção de tempo, a circulação etc. Do mesmo modo, atualmente as tecnologias de informação e comunicação ditam o nosso cotidiano. Na saúde, os resultados de exames obtidos são centrais nas expectativas de profissionais e usuários. A tecnologia propriamente dita influencia nossa relação com a natureza, nossa subjetividade, o modo de produzir e modo de viver e nossas relações sociais.

Considerações

Em nossos entendimento, as correntes teóricas supracitadas na definição de tecnologia tem o mérito de diagnosticar que essa não se refere as “tecnologias diretamente materiais”, contudo não existe separação estanque trabalho material e imaterial, entre eles o trabalho intelectual, a organização e complexificação do trabalho. A sociabilidade ou a produção da vida social e a práxis em saúde não comporta tal dualidade. Dizer isso não significa menosprezar as relações técnica-organizativas, pelo contrário, essas têm – a depender da particularidade – tanta importância quanto à inovação tecnológica. Inclusive, no caso da saúde atribuímos centralidade às relações técnicas-organizativas. Lembramos que tanto uma quanto outra são dinâmicas e estão em permanente transformação e interação com as relações sociais. Referente à implicação política, a tecnologia na sociedade capitalista é uma relação homem e natureza forjada sob o caráter instrumental de degradação da natureza e do homem, ao refletirmos sobre à categoria trabalho ela carrega em si contradições e implicações que estão vinculadas tanto à existência quanto à emancipação humana, em nossa visão, o uso amplo do termo tecnologia substitui e restringe à reflexão sobre o trabalho em saúde.

A BUSCA PELA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO SOUZA, RACHEL BRINCO DE1; SILVA, ELIARA ADELINO DA2

INTRODUÇÃO: O Sistema Único de Saúde se destaca pela grande relevância que o compõe e pelas necessidades de sua implementação que se dão ao longo dos anos. As instituições de ensino atualmente buscam proporcionar uma formação profissional cuja atuação se dê alicerçadas ao exercício de práticas e saberes que consolidem os propósitos do SUS. A Resolução CNE/CES Nº 03 de 7/11/2013, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Enfermagem refere em seu Art. 3º item I como perfil, um enfermeiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, qualificado para o exercício de enfermagem, com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos; que seja capaz de conhecer e intervir sobre os problemas/situações de saúde-doença. E que seja capacitado a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania1. Esta reestruturação do processo de formação traz como perspectiva a articulação entre teoria e prática fundamentada em ações pedagógicas que ultrapassem as salas de aula, levando assim os discentes aos diversos espaços de produção do cuidado, aproximando-os dos cenários de trabalho. Neste sentido a formação do enfermeiro com o foco numa educação problematizadora, permite a construção de seu conhecimento e o desenvolvimento de um discurso próprio, tendo o docente como facilitador desse processo2 Torna-se inerente capacitá-lo com senso de responsabilidade social, compromisso e cidadania e as metodologias ativas de ensino podem contribuir nessa perspectiva, uma vez que objetivam desenvolver as potencialidades dos discentes para que possam se assumir como protagonistas. O ensinar exige ainda o respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito, especialmente no âmago de uma abordagem progressiva, alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que constrói a sua própria história4. Esse respeito só emerge no âmago de uma relação dialética na qual os atores envolvidos – docente e discente – se reconhecem mutuamente, de modo a não haver docência sem discência, e seus sujeitos, não se reduzam à condição de objeto um do outro5 OBJETIVO: Relatar a experiência da reformulação do curso de enfermagem com a utilização de metodologias ativas de ensino pelos docentes com enfoque no trabalho em saúde. A relevância desta experiência se justifica por se constituir em uma vivência pedagógica entre ensino e serviço. PROCESSO DE TRABALHO: Trata-se de um relato de experiência sobre a utilização de metodologias ativas de ensino, desenvolvidas nas disciplinas Enfermagem Saúde Sociedade e Gerenciamento em Enfermagem Hospitalar do Curso Enfermagem, a qual ocorreu no semestre de 2017.1, e que buscou a compreensão das relações trabalho e saúde. Cada docente buscou refinar o conhecimento prévio e aguçar o pensamento reflexivo dos discentes através de estudos de casos. Evidenciou-se a importância em formar cidadãos capazes de assumir seus papéis na sociedade, onde o enfermeiro será aquele com capacidade de estabelecer julgamentos sobre os atos realizados, tendo conhecimento e senso de responsabilidade seja por causas individuais ou coletivas. RESULTADOS: Relatando a experiência, houve uma expectativa crescente por parte dos docentes e discentes por ser uma prática inovadora no processo de ensino-aprendizagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS: percebeu-se que a inserção das metodologias ativas gerou experiências relevantes e caracterizou-se como uma forma diferenciada de ensinar e aprender em enfermagem. Quanto à atuação docente mudanças positivas aconteceram com destaque ao planejamento das aulas e sua reformulação. Quanto aos discentes levaram à melhoria do processo ensino-aprendizagem tornando-os capazes de conhecer a realidade e intervir sobre ela.

 

Por que isto aconteceu? Da crise ao olh-ar sobre nós mesmos num exercício maiêutico como possibilidade de produção do pensamento.

Autores: CASTRO E SILVA, Ricardo; equipe Caps ADI III São Bernardo do Campo, e ELE( um jovem de 22 anos)..

 MOMENTO DESENCADEADOR:

2017, num dos plantões noturnos do Caps ADI  III, Ele entra  e agride funcionários e funcionárias presentes. Esta com um bastão de ferro com o qual ameaça à todos e todas. Exige que uma profissional  tire toda roupa e que os homens fiquem de cueca . Agride com palavras  e ameaças, humilhando a todos e todas presentes. Uma profissional reage e é agredida fisicamente e dois outros  profissionais conseguem mobiliza-lo e é encaminhado à policia.

Esta cena, reverberam-se ações como o afastamento dos profissionais envolvidos diretamente  e também, quem sabe, a produção de  pensamentos, reflexões e talvez alguma  problematização por parte da  equipe, da coordenação da saúde mental  e por fim minhas .

Eu, autor, ocupo hoje o lugar da problematização à distância e ao mesmo tempo muito próximo. Estive durante um tempo como gestor desta unidade em São |Bernardo do Campo  e muito próximo à este acontecimento pois na época ELE estava conosco, já há algum tempo e completou  18 anos no nosso convívio. Portanto me afeta esta cena tanto em relação à equipe que coordenei quanto à ELE que pude conhecer  e acompanhar.Pude de fato?

Aqui iniciamos nossa metodologia que a utilizo muito em diversos espaços de formação, que é a pergunta sobre a pergunta, num   levantamento de perguntas , que depois descobri que era muito antigo, vindo de Sócrates, o exercício da   maiêutica . Começo então a levantar perguntas. Algumas que imagino terem sido feitas (ou não) por diferentes pessoas e outras minhas, no meu lugar  da distância.

 Espero que este exercício possa trazer outros olh-ares, ou seja novos ares à esta cena, aos desafios do serviço e os embates no trabalho com adolescentes que usam álcool e outras drogas.

 Por que ELE fez isto?O que fez ele fazer isto?Estava em surto?Estava usando?Estava com dificuldades?Isto justifica o que ELE fez?

 Por que agrediu e humilhou quem o ajudou tanto?Raiva por ter sido cuidado?O cuidado enfurece?O que fizemos e o que não fizemos por ELE?

 ELE era tranquilo quando adolescentes mas chorou muito quando fez 18 anos pois não queria sair da residência, isto  fez odiar o serviço?Quando acolhemos e oferecemos uma casa e depois tiramos, pois “crescem”, isto enfurece?Produz mágoa e rancor  retirarmos de uma casa organizada e acolhedora? Isto produz violência ao invés da “cura”?

 Por ser adolescente e ainda jovem o faz ser mais violento? Adolescentes são mais violentos? O uso de substâncias psicoativas produz esta violência?ELE estaria passando por problemas ?Estaria sofrendo?Isto justifica seu ato, sua raiva, sua violência?

 Porque humilhou as mulheres e homens exigindo a nudez das mulheres, perante todos?A profissional mais agredida fisicamente era quem promovia passeios, saídas onde ELE sempre estava presente?. Ou foi porque ela “pegava pesado” e chamava a atenção quando precisava?

 Porque volta ao Caps para agredir?Sentiu-se agredido enquanto estava  sendo “atendido”, “acompanhado”?Quando ajudamos?Quando de fato atingimos?Atingimos?Quando de fato produzimos mágoas e ressentimentos?Seria possível ajudar?Seria possível mudar a história destas pessoas que nos procuram?Afinal o que é possível?Afinal porque, para que e para quem trabalhamos ?Trabalhamos para os meninos e meninas?Trabalhamos com os meninos e meninas?Com estes meninos e meninas?( nossa pergunta diária enquanto gerente desta equipe). O que nos é possível?

 Quando olhamos nosso trabalho e tentamos ver à frente, nossos resultados, o que vemos e com que olhos o vêmos?Os resultados justificariam nosso trabalho? Quais resultados?

 Porque o ódio? Uma resposta ao cuidado recebido? Uma reação à pouca atenção recebida? Uma mágoa guardada de um momento específico?Sentimento de injustiça?

 O sofrimento em crescer e perder o apoio, gerando falas como “ não tenho muito para comemorar, sei que agora preciso sair daqui porque estou com 18 anos” seriam responsáveis por esta raiva?

A raiva é produzida pelo desamor e desamparo?Ou a raiva é constituinte da juventude violenta?Ou a substância psicoativa ativa é que  mantêm esta raiva?

 Quando nos agridem , querem nos destruir?Querem destruir à quem?Querem destruir?

 O que fazemos com tudo isto?Tomamos as medidas de segurança e voltamos a colocar segurança 24hs no serviço?Foi porque não havia um segurança na unidade?Afastamos os profissionais atingidos diretamente?O que fazemos com os que ficaram?Serão os próximos violentados?

 Como podemos ajudar nesta ferida aberta do medo vivido pelos funcionários(as)? Esta cena comprova o que se diz sobre o Caps Adi que seria o mais violento e que ninguém da rede quer trabalhar neste local?

 O que a coordenação de saúde mental do município refletiu sobre o acontecido?O que a secretaria de Saúde refletiu sobre o acontecido?Ficam sabendo?Fazem o que?Isto comprova  e pode ser usado para a tese da importância da internação?

 Como a equipe do serviço reage?O que pensam?Pensam?Sentem? Hipóteses antigas são confirmadas, como por ex: “os meninos não querem nossa ajuda”, são poucos que saem das drogas e da rua” e passamos a acreditar nisto?

 Quanto dói o sofrimento humano.?O que a dor nos produz em nós e nós no outro?Produzirmos dores no outro?        Quando o outro sente nossas dores, a minha diminui?O que diminui a dor?As substâncias psicoativas diminuem nossas dores de vida? O que diminuiria esta dor?O acolhimento?O vínculo? Nosso acompanhamento?Nossa medicação,nossos passeios? É possível diminuir a dor e o sofrimento?

Ha tempo suficiente para a pele  ser regenerada depois de uma dor?Quando a pele não mais regenera, não fecha , o que fazemos para viver?

E nossas dores de não conseguirmos diminuir a dor do outro e somos feridos, feridas?O que fazemos com elas?

 Quais seriam nossas perguntas aqui e  agora ouvindo estas perguntas?Poderíamos complementar com outras perguntas?Quem tem uma pergunta?

 As perguntas nos ajudam?Não termos respostas, nos angustia? As respostas nos ajudam?Em que?

Conseguimos de fato  a partir de acontecimentos que nos afetam, passarmos, levantarmos nossas questões para problematizar nossa realidade?

 A problematização é vista como uma ferramenta potente?Ou é reconhecida como “perda de tempo”?

Quando as equipes param diante de um grande sofrimento, conseguem fazer o que? Lamentar-se?Procurar um culpado? Identificar algo no sujeito que o responsabilize “pelo seu ato”?

A saúde reconhece a potencia da educação que a compõem? Quando trabalhamos com saúde, nos reconhecemos como educadores? Como fazemos para que o usuário aprenda ou não o que desejamos?

 FOUCAULT e GALLO nos apresentam dois conceitos que nos auxiliam neste processo de produção das perguntas. O conceito de problematização em Foucault e o de Pensamento Rizomático em Gallo, podem, com certeza , nortearem novas possibilidades pedagógicas na Saúde. A aproximação entre Sáude  e Educação se faz cada vez mais necessária.

Probletamização:

“Problematização  retira o pensamento do campo das representações e do  discurso.  Problematização não quer dizer representação de um objeto preexistente, nem tampouco a criação pelo discurso de um objeto que não existe. É o conjunto das práticas discursivas ou não discursiva que faz alguma coisa entrar no jogo do verdadeiro e do falso e o constitui como objeto para o pensamento(seja sob a forma de reflexão moral, do conhecimento cientifico,, de análise política, etc).Foucault, 2006, p. 242.

 

Pensamento Rizomático

  • O rizoma, por outro lado, remete-nos para a multiplicidade.A metáfora do rizoma subverte a ordem da metáfora arbórea……Diferente da árvore, a imagem do rizoma não se presta nem à hierarquização nem a ser tomada como paradigma, pois nunca há um rizoma, mas rizomas; na mesma medida em que o paradigma, fechado, paralisa o pensamento,o rizoma, sempre aberto, faz proliferar pensamentos ( GALLO, 2003)

 

Na imagem do pensamento rizomático temos a resistência à imagem /padrão da produção hierárquica do pensamento. No exercício da problematização, onde nos desviamos do poder da noção de representação como produtora do conhecimento, temos o rizoma como nova possibilidade: pensar para alem da representação é construir múltiplos caminhos do pensamento, o que nos produz novas perguntas e com isto, quem sabe novas possibilidades.

 Bibliografia. 

GALLO, S. Deleuze & Educação. Belo Horizonte:Autêntica,2003.

FOUCAULT, Michel. Ética, sexualidade, política. Col. Ditos e Escritos (v.V). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006. 

 

Ricardo de Castro e Silva. Psicólogo.Doutorado  em  Educação pela FE UNICAMP. Participante do grupo. Micropolítica em Saúde no Departamento de Prática de Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

O Conselho Nacional de Saúde e o “Movimento Saúde Mais Dez”: tensões entre participação social e democracia representativa

Título: O Conselho Nacional de Saúde e o “Movimento Saúde Mais Dez”: tensões entre participação social e democracia representativa

Autor: Matheus Zuliane Falcão (FALCÃO, Matheus Zuliane)

Período de Realização

Outubro de 2015 a outubro de 2016

Objeto da pesquisa

Compreender a atuação recente do Conselho Nacional de Saúde (CNS) no Movimento “Saúde mais Dez”.

Metodologia
A metodologia utilizada consistiu em um Estudo de Caso, conforme definido por Robert Yin, que consiste na análise de um processo político em curso (YIN,2003), qual seja o Movimento “Saúde mais Dez”, especificamente focado na atuação do CNS. Tal escolha incluiu o resgate histórico da questão do financiamento do SUS, de modo a elucidar o cenário político que envolve o movimento.

Para tal foi feita análise documental de atas do Conselho, documentos relacionados ao processo legislativo, disponíveis nos portais virtuais das duas casas legislativas do Congresso Nacional e levantamento das manifestações virtuais do CNS publicadas em seu sítio virtual e em sua página na rede social “facebook”.

Além disso, foi levantado o conjunto de normas jurídicas aplicáveis à estrutura institucional do Conselho, para que se tivesse ideia de suas atribuições institucionais.

Resultados

O Brasil possui um Conselho Nacional de Saúde desde 1937, contudo é apenas com a Constituição Federal de 1988 que passa a incorporar em sua essência a ideia de participação social. Nessa época foi-lhe conferida autonomia e composição correspondentes a tal perspectiva, permitindo-lhe elaborar propostas e apresentar opiniões sobre temas atinentes às políticas públicas de saúde.

A estrutura jurídica financeira do país foi instável e deficiente na tarefa de assegurar a quantidade desejada de recursos às Ações e Serviços de Saúde Pública (ASPS) no país (Pinto e Fleury, 2012). A atuação do Conselho neste tópico se deu pelo Movimento “Saúde mais Dez”, que congregou diversos movimento em favor da proposta legislativa (inicialmente de iniciativa popular) de destinar 10% da Receita Corrente Bruta da União para ASPS e o teve como centro articulador, emitindo posições, formulando propostas, mobilizando a sociedade e estabelecendo diálogo direto com o Congresso Nacional.

Analise crítica sobre o trabalho

A posição do CNS de articulador do Movimento “Saúde mais Dez” evidencia uma atuação política comprometida com uma pauta especifica e assunção de posição política, o que implica em uma atuação diferente de mero órgão público, ainda que o seja formalmente.

Por funcionar como um instrumento institucional de participação social, o Conselho carrega consigo um dos elementos que caracterizam outros exemplares de integrantes de Democracia Participativa, além de apresentar discurso confrontante à estrutura máxima de Democracia Representativa, o Congresso Nacional.

Conclusões

O CNS ainda que seja formalmente parte da administração pública, funciona como instrumento de formulação de propostas políticas, bem como de articulação estratégica para efetivação dessas propostas. O caso sugere confronto político entre o Congresso Nacional e o Conselho, demonstrando como conselhos de saúde tem potencial para defender o projeto do SUS.

Referências
CARVALHO, Al.; “Conselhos de saúde no Brasil: participação cidadã e controle social. Rio de Janeiro: Fase/Ibam; 1995.

SANTOS, Boaventura de Sousa (org.); “Democratizar a Democracia: os caminhos da Democracia Participativa” – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

PINTO, Élida G.; FLEURY, Sonia. Custeio do direito à saúde: em busca da mesma proteção constitucional conquistada pelo direito à educação. Revista de Direito Sanitário, Brasil, v. 13, n. 1, p. 54-80, june 2012. ISSN 2316-9044. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2017. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9044.v13i1p54-80.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos / Robert K. Yin; trad. Daniel Grassi – 2.ed. -Porto Alegre: Bookman, 2001

Oficinas emancipatórias com jovens: um processo intersetorial (saúde e educação)

Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012 o Brasil contava com um contingente de 52.2 milhões de jovens na faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade, o que representava uma parcela de 26,9% do total de habitantes do País (Waiselfisz, 2014).

 

Apesar de representar uma significativa parcela da população brasileira, ao realizar uma busca pelos trabalhos que falam sobre as ações desenvolvidas na atenção primária com os jovens, foi possível observar uma escassez de práticas voltadas para este grupo. Como destaca Amarante (2007) em seu trabalho, as ações propostas para a juventude são em geral geradas a partir de dados quantitativos, sem considerar as diferentes inserções sociais destes, e sem considerar efetiva participação dos jovens, tornando-as distante daquilo que é proposto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990). Assim, identificou-se na equipe de Saúde da Família da UBS Vila Nova Jaguaré, a necessidade de implementação de ações específicas para esse grupo, mais amplas do que as comumente encontradas, limitadas a situações de risco.

 

O Programa Saúde na Escola (PSE) vem sendo desenvolvido anualmente desde 2011 na UBS Integrada V. Nova Jaguaré, com a realização pelos profissionais da saúde da UBS de ações voltadas principalmente ao monitoramento de medidas antropométricas e verificação da saúde ocular dos escolares das escolas municipais da área de abrangência. O PSE, entretanto, busca a articulação intersetorial das redes públicas de saúde e de educação e traz, como outras ações a serem desenvolvidas com os jovens, a prevenção e redução do uso de álcool e outras drogas.

 

Nessa perspectiva, no segundo semestre de 2016, passaram a ser realizadas oficinas para introduzir discussões sobre o uso do álcool e outras drogas, em uma das EMEF da área de abrangência da referida UBS. Para problematizar o conhecimento destes jovens sobre o tema exposto, as oficinas foram conduzidas por trabalhadores da UBS – uma enfermeira, dois terapeutas ocupacionais, e seis agentes comunitários de saúde. Foi utilizado conforme sugestão da Supervisão de Saúde, o material fornecido pelo programa municipal #TamoJunto, que orienta sobre a prevenção do uso de álcool, tabaco e outras drogas. O #TamoJunto é um programa desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Coordenação Geral de Saúde Mental, Álcool e outras drogas do Ministério da Saúde. Trata-se da primeira versão brasileira de uma metodologia elaborada por pesquisadores europeus, chamada Unplugged.

 

Os trabalhadores da saúde envolvidos nessas oficinas julgaram, entretanto, que o material subsidiado pelo programa #TamoJunto trazia uma visão predominantemente funcionalista, ao buscar trabalhar principalmente fatores de risco e proteção, e na tentativa de acrescentar outros elementos nas oficinas que pudessem aprofundar as discussões criticamente, a partir da perspectiva da saúde coletiva, foi utilizado o jogo “Cidade-Dorme: representações cotidianas” para discutir representações comuns aos jovens da periferia sobre as drogas (entre elas as duas expressões do jogo : “as drogas destruíram as favelas e as comunidades” e “o traficante de droga é uma pessoa má” (Pasquim e Soares, 2016).

 

Tomando como referência a educação crítica, as oficinas foram realizadas sob o aspecto emancipatória, buscando em todos os momentos suscitar reflexões e participações dos alunos, assim como dos professores participantes. Soares (2007) apresenta a educação emancipatória, como sendo a “união dialética entre teoria e prática, a mediação do professor entre os alunos e o conhecimento acumulado, a disponibilização das ferramentas culturais e sua efetiva incorporação pelos sujeitos’, prática do processo educativo capaz de consolidar a práxis social criativa e libertadora.

 

As oficinas foram realizadas em três turmas diferentes do Nono Ano, constituída por jovens até 16 anos, com duração de três horas cada. Com o objetivo de unir o conhecimento teórico dos profissionais envolvidos com as práticas sociais observados por esses e pelos alunos, foram discutidos os seguintes tópicos em cada oficina: uso e abuso de álcool e outras drogas, fatores de risco e proteção para o uso abusivo de álcool e drogas; fatores que influenciam decisões de vida dos jovens; projetos para o futuro.

 

As duas expressões valorativas utilizadas no jogo educativo tinham como objetivo problematizar duas representações cotidianas ilusórias: primeiramente que as favelas não são resultados de uma destruição promovida pelo consumo de drogas, mas uma guerra às drogas, e que as desigualdades sociais presentes são também frutos de uma criminalização à pobreza; e em segundo lugar, que os pequenos e grandes traficantes buscam dentro do sistema capitalista diferentes lucros e são motivados por diferentes contextos sociais.

 

Estas oficinas suscitaram nos jovens questionamentos críticos-reflexivos importantes sobre o contexto social destes enquanto sociedade, corroborando com o interesse do estudo em aprofundar essas reflexões em conjunto com os jovens. Dentre estes pontos levantados podemos destacar algumas reflexões homogêneas entre as turmas: a) a deterioração da educação pública (ausência de materiais escolares, a precarização dos docentes, os baixos salários dos educadores, entre outros) e o consequente reflexo disto em acentuar as desigualdades sociais (já que reflete numa desvantagem competitiva futura para este jovem), de forma mais significativa para os alunos do que o consumo de drogas; b) os traficantes locais enquanto sujeitos em busca de uma forma de sustentar suas famílias (uma vez que não há trabalho formal para todos), e assim não merecedores de um julgamento que os classificaria como pessoas “más”, e o quanto os consumidores, não moradores das comunidades, auxiliam no fortalecimento do tráfico e na marginalização das favelas; c) o papel da polícia enquanto sujeito opressor, que sobe os morros em busca de dinheiro de propina, e apresenta-se distante do seu real papel de proteger socialmente aqueles que moram nas favelas; d) a ausência do interesse político em “investir” nas favelas, e assim, a ausência de atividades que proporcionem lazer no contratempo escolar e funcionem como alternativas ao “fator de proteção” de permanecer trancafiados em casa para não correrem o risco de experimentarem as drogas.

 

As discussões e questionamentos protagonizados pelos jovens nestes encontros demonstraram aos trabalhadores de saúde a força crítica do pensamento juvenil e nos instigaram a refletir sobre quais instrumentos poderiam ser utilizados para facilitar a realização de processo educativos críticos com estes jovens, numa proposta diferente da hegemônica (aquela pautada na transmissão horizontal de conhecimentos e normas), mas sim numa proposta reflexiva que pudesse fortalecer os jovens na compreensão de sua realidade social e culminar em transformações das práticas sociais. Os questionamentos e reflexões dos jovens participantes mobilizaram a enfermeira e os ACS a organizarem um novo processo educativo para o próximo ciclo que dispensasse maior tempo com os alunos e que superasse a limitação da discussão pela via dos “fatores de risco” e “fatores de proteção”.

 

Influenciada pelo ontologia de Lukács, a educação apresenta-se como uma práxis não relacionada diretamente à transformação da natureza em um produto material, mas a práxis que busca influenciar na escolha das alternativas a serem adotadas por outros indivíduos (Almeida, Trapé, Soares, 2013). Ao final, assim, a equipe julgou que estas oficinas contribuiram com o processo de reflexão crítica dos sujeitos envolvidos neste processo educativo tanto os participantes jovens – quanto os trabalhadores de saúde das Unidades Básica – com bases na perspectiva da Saúde Coletiva.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Almeida AH, Trapé CA, Soares CB. Educação em saúde no trabalho de enfermagem. In: Soares CB, Campos CMS, organizadoras. Fundamentos de saúde coletiva e o cuidado de enfermagem. São Paulo: Manole; 2013. p. 293-322.

 

Amarante, AGM. Juventude no SUS: as práticas de atenção à saúde no Butantã. São Paulo. 149 páginas. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, 2007

 

Pasquim HM, Soares CB. Jogo “Cidade Dorme: representações cotidianas sobre drogas” (Tutorial do Jogo). Disponível em: 29 de agosto de 2016. No endereço eletrônico: http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=7220

 

Soares, CB. Consumo Contemporâneo de drogas e juventude: a construção na perspectiva da saúde coletiva (tese livre-docência). São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2007.

 

Waiselfisz, J.J. Mapa da Violência 2014: os jovens do Brasil. Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2014/Mapa2014_JovensBrasil_Preliminar.pdf

Apoio Institucional e Educação Permanente.

Período de Realização da pesquisa: 2010 à 2016


Objeto da pesquisa:
No Apoio Institucional de equipes de reabilitação do SUS no município São Paulo, buscou-se basear em intervenções inspiradas nas experiências francesas de clubes e pelos princípios do Apoio Paideia visando facilitar o trabalho em equipe e qualificar a assistência. O dispositivo Roda de Saberes nasce deste esforço. Neste sentido, a pesquisa reflete as bases teóricas, a história e a analise de dados da Roda de Saberes entre 2010 e 2014 e assim favorece processos de Educação Permanente.


Metodologia:
Desenvolveu um Estudo de Caso e analise através das seguintes abordagens: 1. Identificar as bases conceituais da Roda de Saberes. 2. Levantamento e análise de documentação; 3. Identificação dos princípios facilitadores.

Esta pesquisa foi autorizada pelos Comitês de Ética pertinentes.

Resultados

Visando melhor desempenho da função de Apoiador buscou-se os conceitos do Apoio PAIDEIA para a potencialização de coletivos e de Educação Permanente, uma ação educativa articulada a partir dos problemas enfrentados pelos profissionais no cotidiano, desenvolvendo assim a Roda de Saberes.

Assim, em 2010 , o Apoiador realizou o primeiro momento da Roda de Saberes com os Supervisores de Equipe. Entretanto a proposta atingiu um limite, uma vez que a disputa de modelos tomou o lugar da reflexão.

Em 2012, teve início o segundo momento de encontros com as equipes técnicas.

De 2013 até 2014 foram realizados encontros bimensais, de participação voluntária e pauta decidida pelos próprios participantes, sendo que um Grupo de Trabalho (GT) foi criado para facilitar a interlocução entre as equipes e o dispositivo.

Análise Crítica Discussões diretamente relacionadas ao Trabalhador representaram 26% do total, mas, na verdade era o foco de toda a ação.

Nesse sentido, a criação do GT foi condução especialmente facilitadora e gerou aumento de 45% no número de participantes.

Fruto das diferentes experimentações do dispositivo os participantes se apoiaram, acolheram e cuidaram mutuamente, refletido no número 56% menor de afastamentos do trabalho por motivo de doença.

As equipes participantes tiveram 32% a mais de casos exitosos.

Conclusões

Na experiência da Roda de Saberes identificou-se que o Apoiador não pode ser um elemento a mais do corpo Institucional ou seguir cegamente suas diretrizes e comprar acriticamente suas políticas. Mas mediar às relações com os profissionais da ponta, evidenciando cada perspectiva dos distintos atores envolvidos, buscando manter a crítica e as referências ideais, mas também o pragmatismo, transformando resistências inócuas em possibilidade de mudança.

Dispositivos de EP podem estender e potencializar a função do Apoiador, servindo-lhe ainda de espaço de aprendizagem.

Para isso o método da ação tem de estar diretamente relacionado ao objetivo dele: mesma ética, mesmos princípios.

Os (des)Encontros no Curso de Preceptoria: Médicos, Apoiadores, Metodologias Ativas e o SUS.

Período de Realização: 2016 a 2017
Objeto da experiência:
Relatar a minha participação (Psicólogo e Apoiador) em curso de preceptoria médica.
Metodologia:
Relato.

Resultados:O curso de Aperfeiçoamento em processos Educacionais na Saúde com ênfase na preceptoria de estudantes de medicina com metodologias ativas foi oferecido aos médicos preceptores e à equipe de Apoiadores e da Organização Social Associação Saúde da Família da região Sul. Os profissionais médicos estavam bastante inseguros em relação a todo o processo. Isto vinha ficando evidente nos questionamentos em relação à possibilidade da metodologia ativa conseguir ser eficaz na formação médica em sua totalidade. Outro ponto sendo questionado foi em relação à preparação dos próprios preceptores. Eles colocavam que esperavam e precisavam aulas expositivas com especialistas para atualizar seus conhecimentos. E ainda se queixavam da falta de clareza sobre o que era esperado deles neste processo de preceptoria.

Os Apoiadores, por sua vez, também questionaram a pertinência de sua participação neste curso. Queixaram-se que já tinham os conhecimentos ali explorados, reclamavam que os médicos não entendiam a proposta, que também não tinham clareza sobre a expectativa em relação a eles neste processo de preceptoria e que não viam mais sentido em fazer o curso.

Portanto, alguns médicos e todos os demais Apoiadores abandonaram o curso. Percebi que os Apoiadores estavam reproduzindo o movimento que estavam criticando e, portanto, decidi permanecer por duas razões: havia começado a entender a metodologia proposta e visualizava oportunidades importantes para a minha atuação como Apoiador neste curso.

A forma de espiral, enquanto modelo de discussão da representação do processo de ensino aprendizagem deixa claro a importância das diferentes fases do processo educacional de forma articulada e interdependentes, se retroalimentando.


Análise Crítica sobre o trabalho

O vinculo com os profissionais médicos expandiu minha circulação em unidades de saúde e possibilitou discussões mais abertas, facilitando o trabalho de Apoio.

Percebi ao longo dos encontros que os médicos preceptores possuíam poucos conhecimentos sobre as diretrizes do SUS, que não conheciam várias políticas assistências e conceitos técnicos importantes para atuar com efetividade e em equipe no SUS. Por outro lado, pude perceber o envolvimento destes com o SUS, compreender suas dificuldades cotidianas e que se responsabilizavam pelos seus atendimentos.

Conclusões

Através do apoio, incentivo e moderação das facilitadoras pude conhecer melhor os médicos que atuam em nossos serviços de saúde, e mais importante, as pessoas que são esses médicos. Neste encontro com as pessoas é que foi possível trocar mais potencia mais olhares, perspectivas e possibilidades.

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE GÊNERO: ANOTAÇÕES EM PRONTUÁRIOS-FAMÍLIA DE SERVIÇOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Período de realização: realizado no 2 semestre 2016, como parte do TCC do Curso de Graduação em Enfermagem da FCMSCSP. A violência contra as mulheres foi denunciada pelo movimento feminista na década de 70. Na década de 90, a violência contra a mulher foi reconhecida como um problema de saúde pública e violação dos direitos humanos. Apesar disso, a violência contra as mulheres é pouco percebida nos serviços de saúde, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS), apesar da proximidade do serviço à vida das mulheres e suas famílias. Esse estudo se insere na pesquisa maior “Atenção primária à saúde e o cuidado integral em violência doméstica de gênero: estudo sobre a rota crítica das mulheres e crianças e redes intersetoriais”, coordenado pelas professoras Ana Flávia d´Oliveira e Lilia Blima Schraiber, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Objeto de estudo: registros de violência doméstica de gênero contra as mulheres, nos prontuários-família na APS das regiões dos Coordenadores Oeste e Sudeste, no Município de São Paulo. Metodologia: Pesquisa descritiva, retrospectiva, com abordagem quantitativa, analítica de dados secundários advindos de 18 prontuários-família das mulheres em situação de violência doméstica de gênero, usuárias de serviços de APS. A pesquisa maior foi aprovada pelos CEP da FMUSP e da SMSMSP. Resultados: Há registro sobre violência doméstica de gênero em apenas 12 (66,7%) dos prontuários-família. Dentre os membros das equipes que fizeram os registros, estão: médicas 12 (46,2%), enfermeiras 7 (26,9%), ACS 5 (19,2%) e auxiliares de enfermagem 2 (7,7%). Dos membros do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, estão: assistentes sociais 8 (36,4%), psiquiatras 6 (27,3%), ginecologistas 5 (22,7%), psicólogas 2 (9,1%) e nutricionista 1 (4,5%). As queixas de saúde mental 33 (48,5%) se destacaram dentre as demandas das mulheres, principalmente: ansiedade, choro, angústia, depressão, ideias suicidas, insônia, irritabilidade, nervosismo e tristeza. Em seguida, foram as queixas clínicas 21 (31,0%): anedonia, corrimento vaginal, pirose, sangramento vaginal e tosse. Posteriormente, as “Algias diversas”, 14 (20,5%): dor em baixo ventre, cefaleia, dores no corpo, dores articulares, dor no peito e dores nas costas. Conclusão: Percebeu-se um aumento nos registros da violência nos prontuários, principalmente pelos membros da ESF. Apesar dessa visibilidade a partir dos registros, as queixas que se destacam são as de saúde mental. A partir dos dados analisados pode-se dizer que as UBS tentaram responder às necessidades das mulheres, porém, sem impacto positivo em diminuir as queixas. Pode-se considerar que há a necessidade de que essa temática esteja presente nas formações em saúde, principalmente da enfermagem, pela proximidade das usuárias, e que precisa compreender que, além de reconhecer a violência, fazem-se necessárias mudanças das práticas de cuidado que contribuirão para uma vida saudável e livre de violência.

Autoras: Maria Fernanda Terra e Elise Carmona Darmau

Fatores Ambientais de Risco para o Desenvolvimento de Febre Zika- O Estudo de Coorte Zika Jundiaí

Fatores Ambientais de Risco para o Desenvolvimento de Febre Zika- O Estudo de Coorte Zika Jundiaí

Fernanda Alves Cangerana Pereira1; Tânia Rita Gritti Ferraretto1; Saulo Duarte Passos2; Coorte Zika Jundiaí.

1-    Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo- Jundiaí2-    Faculdade de Medicina de Jundiaí
Recentemente, no Brasil ocorreu a introdução da febre causada pelo vírus Zika. Até 5 de maio de 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou recém-nascidos ou fetos com microcefalia ou outras malformações, presumivelmente associadas à infecção pelo vírus Zika, sendo descritos 1271 casos no Brasil (OMS, 2016). Em uma nota técnica em 2 de fevereiro de 2016, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) enfatiza que as políticas urbanas e de saneamento promovem a resolução de problemas de habitação, saneamento e urbanização e apontam que as medidas de saneamento ambiental devem ser priorizadas na luta contra o vetor. Este trabalho tem como objetivo avaliar o peridomicíl das residências de famílias que fazem parte do estudo de coorte Zika desenvolvido no Município de Jundiaí, São Paulo, Brasil. Cento e noventa e três residências de gestantes e parturientes que fazem parte do estudo foram avaliadas. Estudantes da Escola Tecnológica de São Paulo (FATEC) visitaram as casas de dezembro de 2016 a junho de 2017 buscando condições desfavoráveis ​​que permitiram o desenvolvimento de Aedes aegypti, como a presença de canos e poços na rua; esgoto e água tratada; destino do lixo; condição de parques, jardins e lotes vazios na rua. Os resultados preliminares indicam que a presença de buracos que permitem a drenagem correta da água da chuva ou outras formas de descarga de água parece ser um fator protetor neste estudo. Esses primeiros achados apontam para a importante ação do poder público no combate às doenças emergentes, no entanto, a coorte ainda está em andamento e outros resultados ainda podem estender essa conclusão.