A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE GÊNERO: ANOTAÇÕES EM PRONTUÁRIOS-FAMÍLIA DE SERVIÇOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Período de realização: realizado no 2 semestre 2016, como parte do TCC do Curso de Graduação em Enfermagem da FCMSCSP. A violência contra as mulheres foi denunciada pelo movimento feminista na década de 70. Na década de 90, a violência contra a mulher foi reconhecida como um problema de saúde pública e violação dos direitos humanos. Apesar disso, a violência contra as mulheres é pouco percebida nos serviços de saúde, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS), apesar da proximidade do serviço à vida das mulheres e suas famílias. Esse estudo se insere na pesquisa maior “Atenção primária à saúde e o cuidado integral em violência doméstica de gênero: estudo sobre a rota crítica das mulheres e crianças e redes intersetoriais”, coordenado pelas professoras Ana Flávia d´Oliveira e Lilia Blima Schraiber, do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Objeto de estudo: registros de violência doméstica de gênero contra as mulheres, nos prontuários-família na APS das regiões dos Coordenadores Oeste e Sudeste, no Município de São Paulo. Metodologia: Pesquisa descritiva, retrospectiva, com abordagem quantitativa, analítica de dados secundários advindos de 18 prontuários-família das mulheres em situação de violência doméstica de gênero, usuárias de serviços de APS. A pesquisa maior foi aprovada pelos CEP da FMUSP e da SMSMSP. Resultados: Há registro sobre violência doméstica de gênero em apenas 12 (66,7%) dos prontuários-família. Dentre os membros das equipes que fizeram os registros, estão: médicas 12 (46,2%), enfermeiras 7 (26,9%), ACS 5 (19,2%) e auxiliares de enfermagem 2 (7,7%). Dos membros do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, estão: assistentes sociais 8 (36,4%), psiquiatras 6 (27,3%), ginecologistas 5 (22,7%), psicólogas 2 (9,1%) e nutricionista 1 (4,5%). As queixas de saúde mental 33 (48,5%) se destacaram dentre as demandas das mulheres, principalmente: ansiedade, choro, angústia, depressão, ideias suicidas, insônia, irritabilidade, nervosismo e tristeza. Em seguida, foram as queixas clínicas 21 (31,0%): anedonia, corrimento vaginal, pirose, sangramento vaginal e tosse. Posteriormente, as “Algias diversas”, 14 (20,5%): dor em baixo ventre, cefaleia, dores no corpo, dores articulares, dor no peito e dores nas costas. Conclusão: Percebeu-se um aumento nos registros da violência nos prontuários, principalmente pelos membros da ESF. Apesar dessa visibilidade a partir dos registros, as queixas que se destacam são as de saúde mental. A partir dos dados analisados pode-se dizer que as UBS tentaram responder às necessidades das mulheres, porém, sem impacto positivo em diminuir as queixas. Pode-se considerar que há a necessidade de que essa temática esteja presente nas formações em saúde, principalmente da enfermagem, pela proximidade das usuárias, e que precisa compreender que, além de reconhecer a violência, fazem-se necessárias mudanças das práticas de cuidado que contribuirão para uma vida saudável e livre de violência.

Autoras: Maria Fernanda Terra e Elise Carmona Darmau