Pensamento em Saúde: a contribuição da economia política

Autores: Áquilas Mendes, Aurea Maria Zolner Ianni, Maria Cristina da Costa Marques

EIXO 4: Movimentos Sociais e Rebelião

O artigo resgata o pensamento crítico da economia política elaborado nos anos 1980, no campo de discussão da saúde coletiva, visando compreender suas contribuições teóricas e problematizá-las no contexto do capitalismo contemporâneo, principalmente para evidenciar as limitações da implantação da saúde pública universal pela perspectiva do Estado e da visão predominante no seu interior com redução de direitos sociais. São analisados alguns autores considerados clássicos no campo da economia política da saúde, tais como Sonia Fleury Teixeira (1989; 1992), Jaime de Oliveira (1987) e Braga & De Paula (1981). O retorno a esse pensamento crítico contribui com a emergência de questões sobre o cenário para a saúde pública brasileira no contexto das transformações contemporâneas. Particularmente, essas reflexões ampliam perspectivas para refletir criticamente sobre o pensamento econômico e social hegemônico no capitalismo contemporâneo e sobre o presente e o futuro da saúde como direito no Brasil.

Monitoramento das demandas judiciais por medicamentos em município brasileiro de grande porte

Denise Sguarezi, Brunna Verna Castro Gondinho, Diolena Sguarezi, Jaqueline Vilela Bulgareli*, Karine Laura Cortellazzi, Marcelo de Castro Meneghim, Antonio Carlos Pereira, Luciane Miranda Guerra.

 

Descrever os indicadores de avaliação e monitoramento das demandas judiciais por medicamentos no município de Cuiabá – Mato Grosso, realizado na Defensoria Pública Estadual, em 2013. Foram analisadas 135 ações judiciais relativas às solicitações de medicamentos e os 166 medicamentos requeridos nas mesmas, em quatro dimensões. As características sociodemográficas dos autores, demonstraram a predominância (52,60%) da renda familiar de até 1 salário mínimo, faixa etária entre 20 e 59 anos em 57,78% e, 34,81% são trabalhadores autônomos, enquanto 32,60% possuem vínculo formal. Quanto às características das ações judiciais, 135 (100%) foram concedidas. Em 127 (94,07%) o réu foi o Estado de Mato Grosso; dos 166 medicamentos solicitados, 48 (28,91%) pertencem ao subgrupo terapêutico de agentes antineoplásicos e imunomodulares, 92 (55,42%) foram prescritos pelo nome genérico, 110 (66,26%) não constam nas listas de medicamentos essenciais. Todos possuem registro na agência reguladora, 107 (64,46%) não constam em nenhum bloco de financiamento da Assistência Farmacêutica e não houve solicitação de medicamento para uso off label. Os indicadores são informações obtidas de dados coletados sistematicamente do cotidiano dos serviços de saúde e, no presente cenário, demonstraram capacidade de embasar ações de gestão e planejamento para avanços jurídicos, políticos, sociais e econômicos no Sistema Único de Saúde.

Distribuição espacial de lesão autoprovocada nas regiões de saúde do Piauí

Cláudia Aline de Brito Oliveira, Emílio Prado da Fonseca, Brunna Verna Castro Gondinho*, Jaqueline Vilela Bulgareli, Karine Laura Cortellazzi, Juma Amanda Ferreira Santos, Marcelo de Castro Meneghim, Antonio Carlos Pereira, Luciane Miranda Guerra.

Os comportamentos autolesivos de violência autodirigida constituem um fenômeno que exige investigação e compreensão por parte da saúde pública. Diante do exposto, este estudo objetivou localizar as notificações de lesão autoprovocada nas 11 Regiões de Saúde (RS) do Piauí utilizando uma análise espacial de sua distribuição. Os dados do Ministério da Saúde sobre lesão autoprovocada por município de notificação de 2008 a 2016 subsidiaram o presente estudo. Para a organização dos dados por Região de Saúde, com a base cartográfica digital, foi realizada a operação de agregação dos municípios por RS no software TerraView® (Versão 4.2.1). A distribuição das notificações de lesão autoprovocada foi maior para a RS 3, enquanto as RS 6, 11 e 10 apresentam os menores valores. As diferenças do número de lesão autoprovocada entre as Regiões de Saúde sugerem a necessidade de planejamento de ações locorregionais e diferenciadas de saúde para o enfrentamento do quadro exposto, uma vez que sua distribuição espacial é heterogênea, com concentração de casos em determinadas regiões.

Objetivo: Analisar os fatores que influenciam ou não o aleitamento materno exclusivo
de usuárias cadastradas na USF Galo I em Belém do Pará. Método: Foram aplicados 42
questionários em mães de lactentes na faixa etária de
6 meses a 3 anos, com perguntas
relacionadas a idade materna, escolaridade, profissão, ter outros filhos, estado civil, renda e
realização de pré-natal. Os resultados foram submetidos à razão de possibilidades e à estatística
descritiva. Resultados: Verificou-se que das 42 pacientes participantes do estudo, 85,7%
realizaram aleitamento materno exclusivo (AME). A maioria das mães que aderiram ao AME
eram: de menor idade (< 26 anos), com média ou alta escolaridade, sem emprego, multíparas,
solteiras, e com menos de dois salários mínimos. Todas as mães participantes realizaram pré-
natal. Discussão: Os achados do presente estudo concordam com o levantamento da Sesma
feito em 2013 de que 85% das crianças do município de Belém menores de seis meses e
acompanhadas pelas equipes das Estratégias Saúde da Família mamam exclusivamente no
peito. As variáveis escolaridade, estado civil e paridade apresentaram resultados que reforçam
o já visto na literatura. Conclusão: A presença das equipes de saúde da família parece ter um
papel importante na conscientização das mães sobre a importância da amamentação para o
binômio mãe/filho, tornando a sua permanência fundamental para as pacientes atendidas.