Percepção de mulheres de um assentamento rural de um município do Vale do Paraíba Paulista sobre as dificuldades encontradas para viver da terra.

Percepção de mulheres de um assentamento rural de um município do Vale do Paraíba Paulista sobre as dificuldades encontradas para viver da terra.

Roberta Calcanhoto, Paula do Valle, Alexandra Magna Rodrigues

Universidade de Taubaté, R. Visconde do Rio Branco, 210, Centro, Taubaté.12100-000.   drarobertacalcanhoto@gmail.com, dovalle.paula@yahoo.com.br, alexandramrodrigues@yahoo.com.br.

O objetivo desse estudo foi investigar a percepção de mulheres de um assentamento rural sobre as dificuldades encontradas para viver da terra e sustentar a família a partir das atividades agrícolas próprias dos assentamentos. Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e de abordagem qualitativa realizada com mulheres moradoras de um assentamento rural de um município do Vale do Paraíba Paulista/SP. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas que foram analisadas por meio da análise de conteúdo. Dez mulheres participaram do estudo e relataram que morar no assentamento rural contribuiu para a melhoria da qualidade de vida da família, principalmente por não terem gastos com aluguel e água, sendo tal gasto revertido para compra de alimentos. Todas elas afirmaram, ainda, que a alimentação se tornou mais saudável devido à ausência de agrotóxicos nos alimentos plantados no assentamento e que as famílias optam em plantar alimentos inicialmente para seu consumo próprio e posteriormente para a comercialização. As principais dificuldades apontadas para a vida no assentamento rural foram a escassez de recurso financeiro e políticas públicas de incentivo e apoio à família assentada relacionadas ao investimento necessário para a agricultura familiar e a falta de abastecimento de água. Sem apoio técnico, acesso a financiamentos, infraestrutura e mecanismos eficientes de comercialização da produção, essas famílias não têm conseguido viver da terra de forma efetiva. Porém, a constituição de sua moradia tornando-a seu lar, perpassando pela reconstrução da vida familiar, estabelecimento de laços com a terra torna o assentamento um lugar bom de se viver. Viver em assentamento rural resgata a cidadania dessas pessoas e melhora a condição de vida mesmo com a precariedade de bens e serviços.

Palavra-chave: Desenvolvimento Humano, Assentamento rural, Segurança alimentar e nutricional.

A EXPERIÊNCIA DA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE QUALIDADE DE VIDA (WHOQOL-100) EM UM CONJUNTO RESIDENCIAL

A EXPERIÊNCIA DA APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO DE QUALIDADE DE VIDA (WHOQOL-100) EM UM CONJUNTO RESIDENCIAL

Carvalho, BF, Vianna PVC

beatrizcarvalho182@hotmail.com; paulavianna@univap.br.

 Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento – Laboratório de Planejamento e Desenvolvimento Urbano – Universidade do Vale do Paraíba, Av. Shishima Hifumi, 2911 – Urbanova, São José dos Campos – SP, 12244-000.

Introdução O objetivo da Política Habitacional, promovida pelo o Governo Federal, é proporcionar, uma condição digna de moradia com adequada qualidade de vida para a população de baixa renda. No entanto, os programas habitacionais são, em geral, avaliados pela quantidade de unidades residenciais ofertadas ao invés da qualidade da edificação ou da satisfação do usuário. Objetivo Avaliar a qualidade de vida de pessoas realocadas por políticas habitacionais em um conjunto residencial na região norte da cidade de São José dos Campos. Metodologia Pesquisa qualitativa, baseada na observação participativa, realizada durante a aplicação de questionários de qualidade de vida a moradores do residencial. Os registros em diários de campo foram analisados pela técnica de análise de conteúdo. Resultados Iniciais A população, predominantemente de baixa renda, mantém-se em situação de precariedade, seja de infraestrutura, equipamentos, serviços públicos, emprego, lazer, espaços comerciais. Há condições inadequadas de transporte público e mobilidade. Não há regularização de posse, que reitera o sentimento de não pertencimento. Algumas casas, principalmente as térreas, acumulam função comercial, com janelas transformadas em balcões. O pequeno espaço em frente às casas é transformado, na maioria das casas, em vagas de estacionamento. Às questões ambientais somam-se as sociais. A violência emerge como núcleo temático, concretamente observada em conflitos internos, ou na franca inimizade entre moradores de apartamentos contíguos (que não escolheram seus vizinhos); subjetivamente percebida nos portões trancados com cadeados e nas grades que impedem a entrada no apartamento. Há livre circulação e consumo de drogas. Os moradores parecem ter construído muros ao redor de si: desconhecem, desconfiam e receiam o outro. Pensam suas potencialidades fora dali e esperam da prefeitura respostas para o problema. Discussão Como vem sendo ressaltado na literatura acadêmica, a política pública de habitação nesse conjunto residencial, contribui para reforçar a segregação socioespacial, desterritorialização, isolamento, violência institucional, física e simbólica. Afinal, que qualidade de vida produzem as políticas habitacionais?