Resumo de Pesquisa – RESIDÊNCIA MÉDICA NA RAPS: A construção de uma nova formação em psiquiatria

Tendo em vista a pesquisa de mestrado a ser defendida ainda esse ano na UNIFESP Baixada Santista, de titulo “RESIDÊNCIA MÉDICA NA RAPS: A construção de uma formação em psiquiatria”, submeto um resumo de pesquisa a coordenação para que possa ser apresentado e  debatido no 15º Congresso da APSP.

Resumo:

Inaugurou em 2014 na cidade de São Bernardo do Campo, uma residência médica em psiquiatria com um formato revolucionário até então, que se desenvolve inteiramente no âmbito da reforma psiquiátrica, se utilizando das unidades da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) como espaços de formação. Além disso, também é uma residência médica associada a uma Secretaria Municipal de Saúde e não a uma Universidade, diferença essa deveras importante e inovadora, que traz impactos importantes para a formação. O objetivo principal desta pesquisa é descrever e discutir a experiência de formação desses residentes através da análise de seus respectivos discursos. Para tal foram realizadas entrevistas semiestruturadas com todos os residentes do primeiro e do segundo ano. Os dados coletados estão sendo analisados utilizando-se da Análise de Discurso, na tentativa de identificar nas entrevistas transcritas pontos contrastantes ou similares, de disputa ou parceria, que evidenciem assim, o posicionamento discursivo dos residentes e sua evolução no decorrer de sua experiência. Partimos da hipótese que a formação médica tradicional, centrada no hospital e em suas práticas apresenta um campo discursivo muito homogêneo, propiciando assim uma formação menos critica desses futuros psiquiatras. O que é diferente em uma formação na RAPS, que por sua estrutura e prática, se mostra um campo discursivo muito mais heterogêneo, facilitando uma formação mais questionadora e com mais recursos frente aos desafios da área. Os resultados apontam que uma formação em RAPS proporciona maiores desafios, assim como maiores oportunidades de aprendizado e reflexão de acordo com a heterogeneidade discursiva/ideológica presente, sendo esse um fator importante. Como consequência temos um futuro psiquiatra com uma percepção mais ampla do usuário de saúde, mais ético e mais conceitualmente instrumentalizado.